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A fé move montanhas

No último final de semana, participei de celebrações da Igreja Católica que tocaram muito forte o meu coração. Por dois dias compareci à nossa Catedral Metropolitana. No sábado, estimulado por familiares que são membros da Comunidade Católica Shalom, ao lado da minha amada esposa, Marcilia, acompanhei as solenidades da véspera do encerramento do Jubileu Extraordinário da Misericórdia com sua Porta Santa.

A Porta Santa da Misericórdia é sinal importante, que caracteriza o Ano Santo Jubilar, proclamado pelo Papa Francisco, e que permitiu a todos viver o mistério da misericórdia do Pai. O último jubileu aconteceu no ano 2000, convocado por João Paulo II, assinalando o início de mais um milênio. O próximo só acontecerá daqui a 25 anos, embora o Papa possa instituí-lo de forma extraordinária.

Por determinação do Papa Francisco, pela primeira vez na história da Igreja, não precisamos viajar à Roma para receber as indulgências referentes à passagem pela Porta Santa. Os fiéis em todo o mundo receberam as graças jubilares em suas próprias dioceses, Catedrais ou Santuários. Para alcançar as indulgências, antes de passar pela Porta Santa, era necessário receber o Sacramento da Penitência, participar da Missa, comungar, fazer a Profissão de Fé e refletir sobre a misericórdia. Foi justamente o que fiz com Marcilia naquela tarde de sábado.

A expressão “Porta Santa” se refere exatamente às quatro Portas Santas das basílicas papais: São Pedro, São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Fora dos Muros, que ficam sempre fechadas e são abertas somente por ocasião de um Ano Santo como o que vivemos. O final de semana foi santificado para mim, pois passei pela Porta Santa na nossa Catedral.

O pároco Padre Clairton Alexandrino presidiu a confissão comunitária no sábado e no domingo. Ele, nas duas oportunidades, por aproximadamente uma hora e meia, abordou os dez mandamentos da lei de Deus com muita propriedade. Digo que nos anos de ensino religioso e catecismo no colégio Juvenal de Carvalho das irmãs Salesianas e no Marista Cearense não fui tão bem catequizado.

Como sei que alguns dos meus leitores não recordam bem do catecismo e até podem estar um pouco esquecidos dos dez mandamentos, vou explicitá-los aqui:
1 – Amar a Deus sobre todas as coisas; 2 – Não tomar Seu santo nome em vão; 3 – Guardar domingos e festas de guarda; 4 – Honrar Pai e Mãe; 5 – Não matar; 6 – Não pecar contra a castidade; 7 – Não roubar; 8 – Não levantar falso testemunho; 9 – Não desejar a mulher do próximo; 10 – Não cobiçar as coisas alheias. Para maior entendimento de cada um deles, aconselho voltar ao catecismo ou aguardar a próxima confissão comunitária do padre Clairton.

No domingo, acompanhado dos meus filhos, da Marcilia e de quase toda a família, considerando irmãos e sobrinhos, voltamos à Catedral. Tivemos a oportunidade de reprisar tudo acontecido no sábado: confissão, missa, comunhão e passagem novamente na Porta Santa da Misericórdia. Agora com a fé e a alegria de ter alcançado a indulgência do Ano Santo não só para mim, mas para toda a família. Graça em dose dupla!

Fiz essa introdução para falar da importância da fé em nossa existência. Ter fé é crer mesmo sem ver, é termos a certeza de que o pedido será alcançado. Ela é também confiança sem espaço para dúvidas, pois cremos nas promessas de Deus. Para se ter fé é necessário crer no verdadeiro Deus de bondade. É necessário ter a certeza de que Ele fará o que diz, seja no cumprimento das Escrituras Sagradas, como também nas profecias que recebemos.

Um exemplo de fé encontra-se no Evangelho de Mateus, quando o servo de um centurião adoeceu. O texto diz que o centurião aproximou-se de Jesus e suplicou que Ele curasse o seu servo. “Senhor, meu servo está em casa, paralítico e sofrendo horrível tormento”. Mt 8-6. “Então, Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo”. Mt 8-7. O Centurião respondeu que não era digno de receber Jesus em sua casa, porém, afirmou que tinha fé que se o Cristo dissesse apenas uma palavra, o seu servo seria curado. Jesus disse então ao centurião: “Vai-te, e da maneira como creste, assim te sucederá! E naquela mesma hora o servo foi curado”. Mt 8-13. Esse é um grande exemplo de fé.

Muitas vezes a nossa fé não é igual à do centurião e tem mais semelhança com a fé de São Tomé. Ele era discípulo de Cristo e quando foi informado da Sua ressurreição não acreditou e disse que se não tocasse com suas próprias mãos nas suas chagas não acreditaria. Precisava ver para crer. Tomé, ao ver Jesus, perdeu completamente sua postura arrogante e passou a ser um homem humilde e renovado; a revelação fez cair por terra a dureza de seu coração, a sua descrença e o seu orgulho. De joelhos e de forma humilde fez sua confissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Tomé é como muitos que na atualidade precisam das evidências objetivas e das comprovações para acreditar. Entretanto Deus não age nem se manifesta nesta linha, nós só o encontramos na gratuidade do amor. Muitos acham que Ele não existe, ou que se esqueceu de nós, ou é uma projeção de nossas carências e frustrações. Talvez o que Tomé pensou foi “esses aí estão loucos e desesperados e agora inventaram isso para se consolar mutuamente. Como vou acreditar nisso, eu que sei que a morte é o único lugar de onde não se volta?”. Para Deus tudo é possível!

Nossa tendência é acreditar só no que é material, principalmente, quando não palpamos o que está acontecendo. Mas o mover de Deus acontece de forma sobrenatural e isso realmente não é visível aos nossos olhos. Só o fato de acordarmos diariamente já é um grande exemplo de que Deus age em nossas vidas todos os dias. Precisamos ter fé!

Terminei esse texto depois das cinco horas e trinta minutos da manhã, após minha participação com muita fé em uma oração familiar do Cerco de Jericó. É necessário, pois, uma mudança de vida para que venhamos a fazer jus à herança que o Senhor nos deixou e para isso é preciso ter fé. Não esqueçamos que a fé move montanhas.

*Arruda Bastos é médico, professor universitário, escritor, radialista, ex-secretário da saúde do Estado do Ceará, um dos coordenadores do Movimento Médicos pela Democracia e um homem de fé.

pab

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