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Régis Barros: A bola é minha..

O modelo político e o Congresso Nacional brasileiro se comportam como nas brincadeiras de criança. Por exemplo, lembro-me da minha infância e da periferia de Fortaleza. Em sua maioria, nós, bem humildes, só conseguíamos jogar de bola nas ruas se alguém tivesse o recurso de ter uma bola de futebol. Como a maioria não tinha, poucos eram os que podiam ter esse luxo. Então, aquele que tinha acabava por usa desse “poder”. Acontece que, muitas vezes, o dono da bola era marrento. E se, por ventura, ele ficasse para o “time de fora” ou fosse escalado para o gol, ele ameaçava levar a bola para casa. Que cruel! Ele acabaria com toda a brincadeira por não ter seus gostos alimentados. Daí, findávamos cedendo. Dos males o menor seria mantê-lo no jogo do que não ter a bola.

É desse jeito que a política nacional e o sistema político funcionam. Se o chefe do executivo não ceder aos caprichos do “dono da bola” (Congresso Nacional), ele leva a bola “para casa” e não deixa governar. É isso que acontece. E, mesmo assim, a sociedade elege algozes isolados. Acredito que qualquer algoz escolhido por esse Congresso Nacional sujo, seja, por ordem de lógica inversa, um verdadeiro não algoz. Quando não se deixa governar, o caos se instala e inverte-se a culpa criando-se algozes.

Ou se muda o tipo de jogo e as suas regras ou, se qualquer presidente não ceder aos caprichos, o Congresso Nacional levará a bola para casa. Consequentemente, institui-se e confirma-se a promiscuidades entre os poderes.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra e membro do Movimento Médicos pela Democracia

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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