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Cientistas identificam neurônios que controlam o apetite

A obesidade é um dos problemas de saúde que mais atingem a população, causando males diversos, desde complicações cardíacas a cânceres. Fatores sociais e biológicos levam ao excesso de peso, acreditam especialistas. Cientistas de Israel tentam esmiuçar a faceta cerebral do problema com a ajuda de uma avançada técnica de análise neural. Descobriram 50 novas células e determinaram estruturas que estavam relacionadas ao consumo exagerado de alimentos. O trabalho foi divulgado na última edição da revista britânica Nature Neuroscience e pode abrir as portas para mais descobertas sobre o funcionamento do cérebro e contribuir com o desenvolvimento de tratamentos contra transtornos alimentares.

Diante da complexidade do cérebro, os pesquisadores resolveram sair em busca das células neurais responsáveis pelo apetite. “Muitas funções já foram mapeadas para grandes regiões neurais. Sabemos, por exemplo, que o hipocampo é importante para a memória e que o hipotálamo é responsável por funções básicas, como comer e beber. Mas não sabemos quais tipos de células presentes nessas regiões são responsáveis por cada tarefa”, explica ao Correio John Campbell, autor principal do estudo e pesquisador do Centro Médico Beth Israel Deaconess (BIDMC, em inglês).

Eles usaram um sistema chamado Drop-seq, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A tecnologia possibilita a análise computadorizada avançada de tecidos neurais. Com ela, Campbell e a equipe conseguiram catalogar, em ratos, mais de 20 mil células cerebrais (50 delas até então desconhecidas) em uma região do hipotálamo chamada arqueado e no complexo de eminência medial, área responsável por controlar o apetite, entre outras funções. “Embora esperássemos encontrar alguns novos tipos de neurônios arqueados, fiquei pessoalmente surpreso ao descobrir tantos. Afinal, o arqueado é apenas uma região do hipotálamo do rato e, provavelmente, contém menos de 1% das células cerebrais dele. No entanto, havia muita diversidade nessa região — encontramos quatro vezes mais tipos de neurônios do que se conhecia”, conta Campbell.

Após a identificação das células cerebrais, os cientistas resolveram observar como elas agiam nos ratos em situações distintas e relacionadas a comportamentos alimentares: comer à vontade, seguir dieta rica em gorduras e jejuar durante a noite. A tecnologia permitiu diferenciar os estados energéticos variados, ou seja, quais células trabalhavam e quais se mantinham desligadas em cada momento. “Às vezes, a identidade verdadeira de uma célula não é descoberta até que você a coloque em um certo estresse. Em condições de jejum, por exemplo, podemos ver que existe uma diversidade adicional de resposta dentro de um grupo determinado. Percebemos isso quando elas respondem a esse importante estado fisiológico”, explica Linus Tsai, também autor do estudo e pesquisador do BIDMC.

Fonte: CB

pab

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