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Crítica: Até o Último Homem. Por Márcio Bastos

Mel Gibson quer o seu perdão. Desde 2010, o astro foi afastado das grandes produções por revelar um lado antissemita, racista e machista que o público não conhecia. O ator e diretor, que já tinha alcançado o céu hollywoodiano com seu filme CORAÇÃO VALENTE, vinha atuando em produções menores até que, finalmente, voltou a ter uma grande chance de ser julgado apenas pelo seu trabalho.

Em ATÉ O ÚLTIMO HOMEM, não dá para dizer que ele se supera, mas entrega um filme certinho, com direito a diversos elementos que o consagraram em outras produções. Sua fórmula de sucesso inclui um personagem carismático e cheio nobreza nos valores, com um destino tortuoso onde passará por inúmeras provações até encontrar sua redenção.

A trama, baseada em acontecimentos reais, mostra Desmond Doss (Andrew Garfield), um sujeito do interior dos Estados Unidos que, em tempos de Segunda Guerra Mundial, decide lutar pelo seu país, podendo ser enviado a Okinawa com a tropa para enfrentar os japoneses. Só que sua luta se mostra ainda maior, pois o indivíduo nega qualquer possibilidade de usar armas em combate. Sua intenção era descer ao inferno para salvar o máximo de almas possíveis sem dar um único tiro.

Enfrentando a desconfiança de todos, que não admitem entrar num campo de batalha com alguém que aparentemente não pode protegê-los, aos poucos o soldado Doss vai revelando para os incrédulos a força da sua mensagem. Mel Gibson, que já havia filmado A PAIXÃO DE CRISTO, só muda o contexto. Seu protagonista, assim como Jesus, é inabalável na fé por suas crenças e, através do sacrifício pessoal, mostra-se disposto a ir até o fim defendendo o que acredita. E o diretor usa essa analogia bíblica incansavelmente durante toda a projeção.

Outra eloquente marca de Mel Gibson são as fortes cenas que sempre estão presentes em seus trabalhos. É bala na cara, corpos mutilados e muito sangue na tela, na clara tentativa de nos fazer vivenciar todo o horror de uma guerra, para, com isso, valorizar ainda mais a jornada de santificação de seu protagonista.

Com 6 indicações ao Oscar deste ano, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, ATÉ O ÚLTIMO HOMEM parece realmente ter ressuscitado a carreira de Gibson. Um retorno merecido de um cineasta que, pecados à parte, ainda tem muito talento para mostrar.

Márcio Bastos
Redator publicitário, graduado em Letras e devorador de filmes e séries desde menino véi.

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