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Régis Barros: Eu estive lá…

Eu estive na Esplanada. Pouco me importou o sol escaldante na minha cabeça. Fiz questão de comparecer à Greve Geral de 28/04/2017. Faço aquilo que julgo o correto usando sempre o meu olhar de mundo e a minha vertente ideológica. Caminho, assim, e continuo vivendo em paz comigo mesmo.

Pois bem, esse “vagabundo”, que vos escreve e que trabalha cerca de 10 horas por dia, esteve no gramado da Esplanada do Ministério apoiando a greve geral. O motivo desse apoio é simples – a defesa dos meus direitos. Esses direitos nunca poderão ser atacados sem que a sociedade e o povo participem ativamente desse processo e dessa discussão. Esses direitos não podem ser modificados e retirados na calada da noite por um Congresso Nacional sem o mínimo lastro ético e moral.

Definitivamente, não! Isso é inadmissível. Em qualquer canto do mundo, haveria um levante popular. Contudo, aqui, nessa sociedade toscamente maniqueísta, uma parcela da população entende que os grevistas são “vagabundos” filiados aos partidos políticos ou sindicatos.

A escolha de parar num dia útil faz todo o sentido, pois, se assim não fosse, o nome greve perderia a razão de ser. A greve fere a lógica dominante de que temos que engolir, calados, tudo empurrado em nossa goela. A greve empodera aqueles que terão seus direitos roubados. A greve tinha que ser assim mesmo. Só, assim, é possível ser escutado, pois, de outra forma, nada seria reverberado.

E essa greve tem uma razão – mostrar a força do trabalhador. É preciso materializar a máxima de que a única coisa que mete medo em políticos e governos é povo trabalhador na rua e o povo articulado agindo.

Fui à rua reivindicar e irei quantas vezes for necessário. Se me chamarem de “vagabundo”, minha paz e minha alegria serão as respostas aos ataques e as ironias de ódio. Não preciso justificar nada. Só preciso seguir aquilo que julgo correto…

PS: O sol na cabeça quase me deixou louco do juízo… rsrsrsrs

Régis Eric Maia Barros é Médico Psiquiatra, Trabalhador e Servidor Público

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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