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Arruda Bastos: A greve geral foi um soco na boca do estômago

Que a greve geral contra as reformas da previdência, trabalhista e terceirização de Temer foi um sucesso não se tem a menor dúvida. Além das matérias divulgadas na mídia independente e redes sociais, ela ficou evidente na reação da mídia oficial, amestrada e golpista, que é patrocinada pelos patos do capital e abençoada pelo governo usurpador ora no Planalto.

As reações demonstram o desespero de quem sentiu o soco na boca do estômago. A morte, que no início seria lenta, acelera-se rapidamente com as manifestações, os resultados da política econômica, o recorde de desempregados, mais de 14 milhões, a menor aprovação de um presidente da história, 5%, as provas de corrupção dos ministros e de Temer. O desespero é grande com o descortinar de que o povo finalmente acordou.

A paga que foi prometida aos grandes capitalistas da Fiesp, à Rede Globo, à Veja e ao PIG, que patrocinaram o golpe, corre o sério risco de não ser concretizada. As últimas votações na Câmara demonstram também que alguns partidos e deputados de sua base começam a debandar; no Senado também não é diferente. O cabresto movido à corrupção, cargos e verbas públicas começa a fraquejar e já não tem o mesmo efeito sobre os políticos. Quem ainda resiste é a escória da mídia golpista brasileira, grande em recursos e pobre em ética, democracia e compromisso com o povo.

Nesse artigo, vou me deter na análise do sujo papel desenvolvido pela mídia na cobertura do dia da greve, nos dias que a antecederam e no day after. Primeiramente, a mídia golpista tentou, por semanas, desqualificar e menosprezar a mobilização; depois, como lambe botas e auxiliar do governo, procurou de todas as formas dourar a pílula das reformas antipovo de Temer, pintando-as como benéficas e inadiáveis.

O tempo passou e eles não lograram êxito nas sórdidas manobras no rádio, tv e jornais. Nem mesmo Silvio Santos, Ratinho, Datena e outras inúmeras entrevistas a peso de ouro e acordos inconfessáveis desmobilizaram o Povo. Só restou aos arautos do mau jornalismo esconder o movimento da população menos informada e que utiliza como fonte de informação estes veículos fascistas, pois quem tem acesso à internet, às redes sociais, aos blogs, à mídia alternativa e tem mais de 60 anos como eu, já assistiram esse filme antes muitas vezes na ditadura militar e campanha das diretas já.

Foi o mesmo modus operandi de sempre: sonegar e distorcer as informações. Como não citar uma palavra sobre a Greve Geral no Jornal Nacional da golpista Globo no dia que a antecedeu se naquele momento o tema era o mais discutido nas redes sociais e até primeira colocação do Trending Topics mundial do Twitter? Como não informar a população que ela poderia ter problemas na locomoção no transporte público, dificuldade no atendimento à saúde, escolas fechadas e outras informações importantes?

Na cobertura de qualquer fato jornalístico, o meio de comunicação não precisa necessariamente tomar partido, mas tem o dever inalienável de informar. Afinal, é uma concessão pública e tem essa obrigação. Se estivéssemos em um outro país, estes veículos seriam investigados e punidos severamente até com perda da sua concessão pública, e os seus responsáveis e diretores, penalizados por crime de lesa pátria. Não foi a greve que prejudicou o povo, mas sim a falta de informação.

Não satisfeitos, e até mesmo como uma manobra desesperada, a onda agora é mostrar exaustivamente cenas não da Greve Geral e sim de vandalismo de pequenos grupos e da polícia. É mesmo um caso perdido e patológico. O que devemos perguntar é: como jornalistas de conceito, que juraram seu código de ética, permanecem prestando serviço a essas empresas marginais? O dinheiro que eles ganham não recupera as noite de consciência pesada.

As explicações dos diretores responsáveis são ridículas. Não informaram sobre a Greve porque ela ainda não tinha acontecido. Aí eu pergunto, se os americanos divulgassem  que iriam lançar as bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki na véspera, o jornal não informaria, só depois do fato consumado? Se Hitler divulgasse que iria invadir a Polônia, o jornal só divulgaria depois da invasão? Ora, me compre um bode!

O dia da Greve Geral foi histórico também no jornalismo: a internet demoliu a narrativa e omissão dos Grandes Irmãos do Golpe. Temer ainda confia no apoio da mídia e de gângsters do Congresso pra impor “reformas” ditadas pelo setor financeiro. A Globo trabalha no modo Médici, eliminou o contraditório de todas as matérias das “reformas” como na ditadura de 1964. Desculpem, mas independentemente de qualquer posição política, isto é simplesmente imperdoável na democracia e no ponto de vista jornalístico. O soco na boca do estômago foi sentido e agora as ruas dizem “não”.

Arruda Bastos é médico, professor universitário, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, radialista, ex-Secretário da Saúde do Ceará e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://portalarrudabastos.com.br

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