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Crítica: Corra! Por Márcio Bastos

O preconceito racial infelizmente ainda é muito forte na sociedade. Não amadurecemos suficientemente como seres humanos para entender que é uma enorme ignorância ver o outro como diferente. Em cartaz nos cinemas, CORRA! reforça a crítica ao preconceito. Atraindo ainda a atenção de todos que curtem um bom filme de terror.

Sem um elenco de estrelas conhecidas do grande público, o filme traz como protagonista Daniel Kaluuya, que os mais antenados reconhecerão de um dos primeiros episódios da série BLACK MIRROR. Ele interpreta Chris Washington, um fotógrafo negro cheio de amor por sua namorada branca Rose Armitage (Allison Williams). Em clima de romance, conhecemos o casal no momento em que estão de viagem para que o rapaz seja apresentado à família da moça.

Fica evidente logo de início a insegurança de Chris. Natural por viver em uma sociedade tão cheia de preconceitos. Tranquilizado constantemente por Rose, que aparece sempre como seu porto seguro, seguimos para curtir esse fim de semana com os dois sem saber muito o que esperar do que está por vir.

Apresentando diversas críticas sutis ao racismo enraizado na sociedade – em especial aqui a norte-americana –, o longa surpreende pela inteligência do roteiro. Mesmo sendo bem recebido pelos pais de Rose, que se mostram liberais e muito acolhedores, fica sempre a sensação de estranhamento. Estranhamento esse reforçado por vermos que os empregados da família são negros e logo revelam comportamentos no mínimo incomuns.

Sobre o enredo é bom parar por aqui para não estragar suas surpresas. Com ousadia, o pouco conhecido Jordan Peele dirige o longa fazendo suas críticas sociais e, ao mesmo tempo, revelando ter uma mão boa para construir um clima aterrorizante. Diretor vindo da comédia, ocasionalmente encontramos situações onde seu humor extrapola em meio à tensão. O que quebra um pouco com a verossimilhança do filme, mas não chega a comprometer o resultado final.

Não é todo dia que os cinemas recebem um filme de terror que nos captura por lidar tão bem com a construção do clima proposto. Um excelente entretenimento para os amantes do gênero que, de quebra, traz em seu pano de fundo uma sempre oportuna crítica a esse negócio sem futuro chamado racismo.

Márcio Bastos é crítico de filmes e séries do nosso portal de notícias.

Márcio Bastos
Redator publicitário, graduado em Letras e devorador de filmes e séries desde menino véi.

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