Home > Colunistas > Manoel Fonseca: Islamofobia e preconceito religioso.

Manoel Fonseca: Islamofobia e preconceito religioso.

A etimologia da palavra religião é “religare” religar o profano e o sagrado, o humano e o divino. Hhouve um tempo em que as deusas eram todas femininas: Pótnia, a deusa mãe dos povos do oriente médio, Pacha-Mama, dos Andes, Yeyé Oma Ejá (Iemanjá) dos povos africanos, Amaterasu, a deusa oriental, Aditi, a deusa hindu, Brigida, a deusa dos paises escandinavos, e até Cy, a deusa indigena brasileira. “O culto das deusas caracteriza-se como uma veneração dos povos primitivos pela mãe geradora (a Grande Mãe), pela reverencia aos fenômenos, força e beleza (terra, agua, estrelas, lua e sol) e pela generosidade de fecundação da terra, oferta de alimentos, renovação de ciclos vitais e celebração de rituais de fertilidade e de alegria. Por milhares de anos Deus foi mulher”
(Geraldo Eustáquio)

O rompimento da deidade feminina se deu com a descoberta do ferro (espada), da domesticação do cavalo (deslocamento rápido) e, logo em seguida, da propriedade privada (posse pelos vencedores dos despojos da guerra, incluindo as mulheres dos vencidos). E em todas as religiões a deidade passou a ser masculina, deuses autoritários, machistas, ciumentos e violentos. E houve, por muito tempo o massacre das mulheres e do feminino, com destaque para a Idade média, em que milhares de mulheres foram queimadas vivas na fogueira da inquisição, comandado, este massacre, pelos “cães do senhor” os “domini canis”. (Vide o Martelo das Feiticeiras) (Ob. O islamismo, do ponto de vista da relação com o feminino, ainda está na idade das trevas, na idade média). A religião passa a ser, para uma casta que detem o poder, um instrumento de dominação e de exploração do homem pelo homem. Mantem tambem a justificação do machismo e dos preconceitos. As mulheres, em especial, são as heroicas sobreviventes de tanto massacre fisico, psicológico e religioso.
E de repente, depois de um Ratzinger, chega um Francisco. E de repente, num pais islâmico, como o Irã, há avanços na questão feminina:
“Em Teerã, a maioria da mulheres não usa xador. Geralmente seu uso é exigido em cidades mais religiosas, nas quais as mulheres fazem cursos de teologia, como Qom. Cabe ressaltar que não é a vestimenta que vai dizer se a mulher é mais ou menos livre, mais ou menos inteligente, mais ou menos feliz. O lenço não retira a inteligência da mulher e nem oprime o seu pensamento. É sim uma prescrição religiosa, à qual a maioria das mulheres no Irã não se sentem contrárias.” No Irã a maioria das mulheres tem curso superior, não cobrem o rosto, votam e são votadas, ocupam cargos politicos, participam de festas em residencias onde usam roupas bem avançadas e usufruem de direitos semelhantes aos paises ocidentais.
A islamofobia é um preconceito que trata todos os islâmicos de forma unificada e generalizada como terroristas e misóginos.
O que move a violência de Estado não é a religião, mas o poder econômico, a acumulação de bens e o capital financeiro. O Estado burgues, quando lhe interessa, usa a religião como instrumento de dominação de consciências e de quebra da resistencia na luta d por direitos.
A titulo de ilustração sobre deusas femininas:

Pótnia, a deusa mãe

Do planeta a suprema divindade
Pótnia, a deusa mãe, reinou sobre a terra.
Por milênios a paz, jamais a guerra,
Medrou nos primórdios da humanidade.

Senhora plena da vida e da morte,
Sua essência imanente e permanente,
Mãe da natureza, de todos os entes,
Renova ciclos vitais em eterno vórtice.

Com ferro e bronze a deusa foi ferida.
Deuses guerreiros foram entronados
E a mulher, sua imagem, foi ferida.

A natureza sangra destruída.
Só a mãe sagrada salva os deserdados
Na eterna dança espiral da vida.

Manoel Fonseca

Manoel Dias da Fonsêca Neto
Médico sanitarista, escritor, ex-secretário da saúde de Fortaleza e um dos coordenadores do Movimento Médico pela Democracia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *