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Régis Barros: Fake News e o desejo de que seja verdade

Quando alguém usa de fake news para arrotar sua ira ácida, há um desejo subliminar – o de querer confirmar e validar a sua própria forma de pensar. Ou seja, usa-se desse subterfúgio a fim de justificar os seus próprios pensamentos rígidos e tendenciosos. Sem pena, aquele que propaga os irresponsáveis fake news só deseja o estardalhaço e o caos. Ao fazer isso, nasce um gozo o qual se repassa na teia doentia, sobretudo dos extremistas ideológicos.

Política, religião e acontecimentos com pessoas públicas são os conteúdos que mais surgem nas mídias sociais. A velocidade de propagação é instantânea. Não há como brecar. Uma vez “viralizado”, já era, pois outras conexões surgem e a mentira ganha mais corpo com os novos encaminhamentos. Pouco importará a vida dos envolvidos. Pouco importará a memória dos que morreram. Pouco importará o nome e a história dos citados. Como dito no coloquial, o lance mesmo é “tocar o terror”. Depois que o estrago for realizado, nada poderá remediá-lo. O que foi feito não volta mais. Restará àquele, que teve sua vida destruída, o ato de se resignar e encarar as consequências. Seus amados assistirão e se envolverão com as mentiras propagadas. Eles precisarão conviver com isso. O escrutínio à pessoa, que sofreu essa perversidade, continuará por parte de quem compactua e retransmite esses conteúdos do fake news. Ninguém é poupado. As vítimas e os seus familiares serão machucados em decorrência da divulgação dessas mensagens.

Defino isso como sendo uma espécie de perversidade virtual. Traços sociopáticos expressados nas mídias sociais. Alguns fazem por maldade mesmo já que são cientes da mentira. Outros vão “na onda” por estarem absortos e terem o desejo de confirmar, a todo custo, suas falsas concepções. Daí, o respeito, o bom senso e a ética vão por ralo abaixo. É tão avassaladora essa situação que percebemos pessoas adequadas, coerentes e com conteúdo intelectual de destaque propagando essas notícias falsas e sensacionalistas. Portanto, não estamos falando, somente, de pessoas irresponsáveis e impulsivas, mas sim de muitos que teriam capacidade crítica de analisar tais atitudes.

O que resta a fazer diante de toda essa onda perversa? Resta-nos refletir e alertar. Não propague aquilo que chega a você por meio de fontes duvidosas. Pesquise! Leia mais! Estude sobre o assunto que você “se coçou” para colocar para frente. Respeito e ética só têm sentido de existir se aplicarmos ambos na nossa vida diária.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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