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José Maria Philomeno: Trump deflagra guerra comercial

Os Estados Unidos que se notabilizaram como o berço do capitalismo moderno, defensor intransigente do liberalismo econômico, tendo sempre empunhado a bandeira do livre e irrestrito comércio entre as nações como um lema indissociável, tanto do desenvolvimento econômico como da própria essência democrática, parece, nesse momento, estar relegando tudo que sempre pregou para si e para o resto do mundo, ao, a partir de iniciativas do atual presidente Trump, impor medidas extremamente protecionistas à sua indústria, o que tem causado reações que podem levar a uma verdadeira guerra comercial global.
Trump, que foi eleito prometendo restaurar no território americano os empregos perdidos primordialmente para os asiáticos e mexicanos, deu o primeiro tiro já na primeira semana de governo, ao romper unilateralmente o acordo Transpacífico de livre comércio. E, neste ímpeto protecionista, demonstra claramente que está levando a cabo suas promessas de campanha, como a recente decisão de elevar as tarifas sobre importações de alumínio e aço de vários países, incluindo alguns aliados dos Estados Unidos, como México, Canadá e o próprio Brasil.

Já a China, principal alvo das críticas de Trump – acusando-a de práticas comerciais desleais que prejudicam a economia americana-, tem respondido na mesma moeda aos ataques americanos contra suas exportações. Pequim anunciou a imposição imediata de novas tarifas a 128 produtos norte-americanos, numa tentativa de mostrar ao presidente dos EUA o que está por vir se o mesmo levar adiante uma temida guerra comercial entre as duas maiores economias do planeta.

Para os Estados Unidos a questão econômica sempre esteve atrelada à geopolítica global. Perante o quadro de interesses americanos, o déficit comercial com alguns países se justificava em troca da repressão do regime local à influência do bloco socialista comandado pela antiga União Soviética. Em outras esferas, cobrava a livre presença de suas empresas nos países, em troca de proteção militar. O Japão é um caso desses, que com pós-guerra aboliu suas forças armadas, e a presença militar americana serve como proteção ao país. A Europa é outro, com os investimentos americanos na aliança do Atlântico Norte (Otan).
Com o fim da Guerra fria, a conjuntura global mudou, deslocando-se o foco dos interesses primordialmente para o controle da tecnologia de ponta e do mercado comercial. A globalização foi fruto da abertura de fronteiras, que expandiram-se demasiadamente a partir dos anos 90, pelo advento da entrada da China e dos então países da cortina de ferro na economia de mercado.
Contudo, o senhor Trump, no seu afã populista, inicia uma jornada perigosa, que contraria as concepções traçadas pelos próprios americanos, de valorizar acima de tudo a competência de quem produz melhor e com menor custo.

pab

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