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Régis Barros: O suicídio metafórico

O mundo com várias cidades em lockdown, porém, em vários centros urbanos do Brasil, hoje, tivemos manifestantes na rua. Todos, descabidamente, sendo inadequados. Intitulam-se “patriotas”, mas são, na verdade, irresponsáveis e egoístas. O COVID-19 assusta e faz com que as nações criem planos de contenção. Aquelas que falharem nisso viverão o caos e a agonia por vários meses. Portanto, os bloqueios são corretos. Limitar as aglomerações se faz mais do que necessário. Limitá-las é sobrevivência. Mas, aqui, mesmo com a epidemiologia nos ensinando, os “patriotas” se amontoaram nas ruas. Não adiantou escutar, por vários dias, as orientações dos especialistas – virologistas, infectologistas, sanitaristas, epidemiologistas e intensivistas. Não adiantou assistir o desespero ocorrido na China, Itália e noutros países. Nada adiantou! Aqui, foram às ruas. Para ficar mais surreal e delirante, o presidente da república manifestou apoio. O presidente, que teve contato com pessoas da sua comitiva, testados positivamente para COVID-19, pegou na mão de manifestantes. O presidente balançou bandeira. O presidente tirou self em celulares alheios. O presidente “fez e aconteceu”. Imaginem o mundo nos olhando. Todos, muito assustados, tomando medidas ostensivas e austeras para impedir a propagação do vírus. Daí, eles olham para cá e enxergam o nosso chefe de estado nas fotos destacadas a seguir. Estamos diante de uma situação paradigmática que, talvez, mude a história da humanidade e observamos uma situação tão insana e irresponsável como essa. Em um local com seriedade pelo menos regular, ele seria afastado das suas funções. Daqui algumas semanas, quando o pico de contaminação se evidenciar, nós deveremos nos lembrar disso. Muito insano. Muito covarde tudo isso. É de uma cretinice e de uma sociopatia difícil de dimensionar. Isso extravasa e extrapola quaisquer perspectivas políticas e ideológicas. É bom senso. É bem comum. É vida humana. É a vida dos nossos entes queridos. É grave! É muito grave. Hoje, o nosso comportamento foi suicida, francamente suicida.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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