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Diário de uma quarentena (8º dia). Por favor, fiquem em casa. Por Arruda Bastos

Diário de uma quarentena (8º dia)
Por favor, fiquem em casa.

Prezados leitores, como minhas crônicas, depois que tudo isso passar, vão se transformar no terceiro volume de uma coleção de livros que escrevo denominada “Corações”, tenho por obrigação pincelar algumas delas com fatos da nossa realidade de forma nua e crua.

Por isso, no dia de hoje, 27 de março de 2020, vou falar da falsa polêmica do isolamento social e de uma espécie já testada e que não funcionou em local nenhum do mundo, denominada de “isolamento vertical”, na qual só idosos e outra pessoas do grupo de risco ficam em quarentena.

Digo que a parte do meu corpo mais dolorida nessa manhã são as pontas dos dedos. Isso se deve à quantidade de posts que escrevi nas minhas redes sociais com a hashtags #FiqueEmCasa. O motivo de tamanha compulsão foi as últimas notícias da Covid-19 no Brasil e no mundo e a estapafúrdia proposta de voltar atrás nas medidas restritivas de circulação, sugerida pelo presidente.

No grupo do whatsapp da família e do condomínio, postei que: Em todos os lugares do mundo em que foi flexibilizada a quarentena, a situação piorou sensivelmente e o retorno foi obrigatório de forma ainda mais restritiva, depois de milhares de mortes e de um grande aumento dos contaminados. Exemplos típicos da Itália, Espanha, Inglaterra e, agora, nos Estados Unidos.

Em outro post, fui mais enfático informando que não existe possibilidade de tal isolamento vertical funcionar, pois crianças, jovens, adultos jovens e adultos mais velhos transmitem a doença, mesmo assintomáticos, aos grupos de idosos e de risco e a contaminação acontece nas escolas, no trabalho e nas ruas. A defesa da flexibilização não tem respaldo científico em nenhum trabalho reconhecido de especialistas no mundo, muito pelo contrário.

Para outros grupos, postei que como ex-secretário da saúde do Estado do Ceará e conhecedor da nossa realidade de número de hospitais, leitos, UTIs e respiradores, tanto na rede pública como na privada, se o isolamento social, como determinado pelo governo do Estado, não for respeitado, vamos vivenciar a calamidade em maior grau que em outros países.

Aos amigos muito abastados, alertei que não vai adiantar ter plano de saúde e condições financeiras para pagar o tratamento necessário, pois simplesmente não teremos hospitais, leitos, UTIs, respiradores e até, pasmem, profissionais de saúde para atender, mesmo com a tentativa de ampliação da rede de saúde.

Meu apelo é para valorizarmos a ciência e os exemplos já demonstrados no mundo de que, se não achatarmos a curva de crescimento da doença, que é nossa última esperança e tábua de salvação, estamos todos fritos. Digo que estou muito angustiado com a magnitude do problema e a incompreensão de alguns.

Os efeitos econômicos e sociais são importantes, sem dúvida, mas a vida humana está em primeiro lugar. Os danos financeiros podem (e devem) ser amenizados pelo setor econômico, como em curso em outros países do mundo. Não tenho dúvida de que estou no lado certo da história, pois tenho lido muito a respeito e conheço de perto a estrutura de saúde pública e privada do país.

Desejo, do fundo do meu coração, que meus leitores e a grande maioria da população cearense possa continuar a enfrentar com coragem e fé em Deus os efeitos da quarentena e da pandemia e que o número de mortes seja o menor possível.

Quero ler seus comentários depois da Covid-19. Bata na madeira três vezes e fique em casa.

Não é política, é ciência.

Vida só temos uma.

#FiquemEmCasa

Arruda Bastos é médico, professor universitário e presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – SOBRAMES – CE.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://portalarrudabastos.com.br

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