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Estados Unidos é o novo epicentro da Covid-19. Por José Maria Philomeno

Registrando praticamente 40% de todos os novos casos detectados no mundo, os Estados Unidos tem se tornado o novo epicentro global da pandemia do Codiv-19.

Com quase 180 mil casos e 4 mil óbitos, os norte-americanos já superaram em total de contágios a Itália e a China, sendo, praticamente, iminente o colapso do sistema hospitalar em Nova Iorque, estado que concentra quase a metade das ocorrências no país.

Tamanha emergência levou o presidente Donald Trump – que inicialmente demonstrava ceticismo em relação à epidemia, receoso dos impactos negativos para a economia americana, especialmente por ser ano eleitoral-, a mudar radicalmente sua posição, passando a apoiar medidas mais radicais de combate ao vírus, como a prorrogação para 30 de abril do estado de isolamento social, que hoje atinge 240 milhões de americanos.  

Em entrevista coletiva, no último domingo (29), Donald Trump, anunciou as orientações do governo federal sobre o distanciamento social para conter a disseminação do coronavírus, deimportância vital para a preservação de milhares de vidas, já que anteriormente teria previsto o retorno da população às atividades normais após as festividades da Semana Santa, na segunda semana de Abril. “Nada seria pior do que declarar a vitória antes que a vitória seja conquistada. Essa seria a maior perda de todas”, disse Trump.

Com a costumeira desfaçatez, Trump não admitiu que estava recuando de sua desastrada posição anterior, contrária à ciência e às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), sobre uma pandemia para a qual ainda não há tratamento nem vacina. Questionado se sua declaração anterior sobre a Páscoa foi um erro, Trump respondeu: “Não. Foi apenas uma aspiração”.

O reposicionamento de Trump vinha se delineando quando, na sexta-feira, passou a dizer que “primeiro a vida, depois a economia” e até reiterou que as crianças deviam continuar sem voltar às escolas, além do ensaio, sem combinar com o governador Andrew Cuomo, da decretação federal de quarentena obrigatória para Nova Iorque e mais dois estados.

A Associação Nacional dos Governadores, presidida por um republicano, já havia se manifestado a favor da orientação das autoridades médicas e da ciência, ao mesmo tempo em que considerava “confuso” o alarde de Trump sobre reabrir tudo na Páscoa.

O principal conselheiro científico da força-tarefa montada pela Casa Branca contra o coronavírus, o renomado infectologista Anthony Fauci, precisou dizer na lata de Trump que quem determina o tempo de duração da contenção “é o vírus, não somos nós”.

Apesar de Trump ter feito das conferências televisadas diárias sobre o coronavírus seu talkshow predileto, o país virtualmente ficou sem comando federal em matéria do enfrentamento da pandemia.

Do atraso nos testes à falta de equipamentos de segurança e de máscaras e respiradores, passando pelo absurdo espetáculo de estados, municípios e órgãos federais disputarem os mesmos dispositivos em falta, a preços exorbitantes.

Trump também demorou muito a ordenar que GM e Ford produzissem os respiradores, conforme lei da época da Guerra da Coreia.

Na outra frente de batalha, a econômica, o presidente Trump promulgou o plano de injeçãode US$ 2 trilhões (o maior da história), que busca evitar que a maior economia mundial caia em uma recessão duradoura pelo impacto da pandemia. O que inclui o pagamento mensal US$ 1.200 a americanos de baixa renda, quase US$ 400 bilhões em assistência a pequenas empresas e US$ 500 bilhões em assistência a grandes empresas. Além disso, US$ 100 bilhões serão enviados a hospitais e US$ 30 bilhões para o financiamento pesquisas sobre vacinas e tratamentos para o Covid-19.

A meia-volta de Trump deixa Jair Bolsonaro exposto perante o mundo inteiro como o único chefe de Estado contrário à quarentena e entusiasta de abrir tudo e todos ao contágio do coronavírus. Se Bolsonaro sempre demonstrou imensurável simpatia e admiração pelo presidente americano – é chagada a hora, de fato, assim como passou a fazer seu ‘guru’, de seguir fielmente as orientações científicas.  

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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