Home > Colunistas > O brilho de Mandetta. Por José Maria Philomeno

O brilho de Mandetta. Por José Maria Philomeno

A última segunda-feira, 06/04, foi marcada por turbulentas especulações da iminente demissão do ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, tanto que diversos veículos da imprensa chegaram a noticiar que Bolsonaro jáhavia decido substituir Mandetta pelo deputado federal Osmar Terra – que defende medidas bem mais alinhadas às do presidente da República, como a atenuação do isolamento social nocombate à proliferação do Covid-19.

São muitas as teorizações sobre os bastidores que levaram o presidente a manter o ministro no cargo, visto que Bolsonaro não tem evitado expor suas objeções e latente irritação com a conduta do ministro no decorrer da crise que enfrentamos.

Mas certo é que, Mandetta demonstrou em seu pronunciamento na noite da segunda-feira, que permanecerá na pasta de cabeça erguida, exercendo ampla liderança sobre a equipe ministerial, e, principalmente, imbuído no inarredável compromisso de seguir estritamente os protocolos atestados pelos conclusões da comunidade científica. Ao longo de sua fala, o ministro frisou várias vezes que seu trabalho é orientado por “ciência, disciplina, planejamento e foco”, num claro recado ao presidente.

Ao firmemente resistir às insistentes pressões do presidente para que amenizasse as medidas promovidas pelo ministério, Mandettadeu inequívocas provas que jamais trocaria a fidelidade do compromisso com suas convicções pela manutenção do cargo de ministro. Mesmo com a quase certeza da exoneração – confessou que chegou a esvaziar as gavetas de seu gabinete-, Mandetta foi inflexível e não se dobrou às coações sofridas.  

Exemplo desta postura foi a sua recusa, durante reunião na tarde da segunda-feira no Palácio do Planalto, em assinar um decreto que regulamentaria o uso de forma profilática dahidroxicloroquina para tratamento do novo Coronavírus (uma dos anseios de Bolsonaro), já que, entende o ministro, que esta liberação ainda carece da conclusão dos estudos pelos órgão competentes, que venham a comprovar tanto sua eficácia, quanto a segurança em relação a seus eventuais efeitos colaterais.

Já Bolsonaro mais uma vez demonstra carência de atributos de liderança e comando. O presidente da República pode discordar de seus ministros e auxiliares. O que não pode é – principalmente em períodos de grave crise como a que passamos-, passar para a sociedade a mensagem que a nação está desorientada em suas ações.

Não demonstra grandeza e perspicácia cerebral e sensorial. Age por impulsos, movidos por sentimentos que não podem aflorar em um governante, como uma mesquinha inveja da notoriedade alcançada por seus próprios subordinados.

Não sabemos até quando Mandetta seguirá no cargo, mas, por sua competência e retidão com os princípios médicos-científicos, podemos garantir que enquanto lá estiver o combate à epidemia terá um comando firme, coerente e técnico. No meio a um nevoeiro de incertezas e apreensões a estrela de Mandetta brilha como um farol de esperança.

 José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *