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Diário de uma quarentena (40° dia) O bíblico, o profano e a Mulher de quarentena. Por Arruda Bastos

Diário de uma quarentena (40º dia)
O bíblico, o profano e a Mulher de quarenta
Por Arruda Bastos

Hoje, 28 de abril de 2020, completo meus 40 dias de quarentena. O isolamento foi total desde o início e a única vez que saí foi por uma boa causa, afinal, pertencendo ao grupo de risco, tinha que tomar a vacina da gripe, como já relatei na crônica “Uma odisseia na terra dos vírus gigantes”.

A história das quarentenas nasceu no século 14. Na época, a peste bubônica matou mais de um terço da população da Europa. O governo de Veneza, temendo que o mal viesse do mar, determinou que todas as embarcações ficassem isoladas durante 40 dias antes do desembarque dos passageiros. O fato inspirou outras quarentenas em todo o mundo, agora baseadas em dados científicos que comprovam sua eficácia.

Como no dia de hoje escrevo a minha quadragésima crônica do “Diário de uma quarentena”, vou falar do número 40 e dos segredos e mistérios por trás dele. Para iniciar, encontrei que, em geral, esse número poderoso representa mudanças, transformações, desafios e decisões, mas também, tempo e paciência necessários para que todas as coisas se resolvam. Exemplo maior não poderíamos encontrar atualmente, na pandemia do coronavírus.

Nas Sagradas Escrituras, há uma frequente relação entre o número 40 e períodos de preparação e mudança: Deus fez chover 40 dias e 40 noites nos tempos de Noé (Gênesis 7,4); Moisés passou 40 dias de jejum no Monte Sinai, a sós com Deus (Êxodo 24,18); O povo de Israel passou 40 anos em êxodo pelo deserto rumo à Terra Prometida (Números 14,33).

Encontramos também que duraram 40 anos os reinados de Saul (Atos 13,21), Davi (II Samuel 5,4-5) e Salomão (I Reis 11,42), os três primeiros reis de Israel; Jesus foi levado por Maria e José ao templo 40 dias após seu nascimento (Lucas 2,22); Jesus jejuou durante 40 dias no deserto, onde foi tentado pelo demônio (Mateus 4,1–2; Marcos 1,12–13; Lucas 4,1–2).

Existem, ainda, diversas outras citações bíblicas com o número 40, mas vou preferir agora passar para o próximo assunto, o profano e lembrar-vos da música “Mulher de quarenta”, de autoria de Roberto Carlos, que foi lançada no ano de 1996. Na inspirada letra, encontramos que a mulher de 40: “Por experiência, sabe a diferença de amor e paixão, o que é verdadeiro, caso passageiro ou pura ilusão” e que, para o Rei, a idade não interessava: “Não quero saber da sua vida, sua história, nem do seu passado. Mulher de quarenta, eu só quero ser o seu namorado”.

Agora que me lembrei da letra, vou continuar cantando: “Se ela se distrai, uma lágrima cai, ao lembrar do passado, seu olhar distante vai, por um instante, a um tempo dourado. Retoca a maquiagem, cheia de coragem, essa mulher bonita que já não é menina, mas a todos fascina e a mim me conquista. Não quero saber da sua vida, sua história, nem do seu passado. Mulher de quarenta, eu só quero ser o seu namorado”.

Para concluir, digo que o número 40 é mesmo mágico, pois com ele foi possível misturar o bíblico e o profano. Com isso, espero que a crônica de hoje estimule o isolamento social, visto que sabemos, não como no século 14, que é a única forma de reduzirmos a disseminação de uma pandemia e o número de óbitos.

Amanhã eu volto com uma nova crônica.
Essa foi a do dia 40. #FiqueEmCasa

Arruda Bastos é médico, professor universitário e presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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