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A demissão de Sérgio Moro. Por José Maria Philomeno

O presidente Jair Bolsonaro não cansa em protagonizar atitudes polêmicas que cada vez mais desgastam sua imagem e geram crises em seu governo. Os episódios envolvendo o pedido de demissão do ex-ministro Sérgio Moro e todos os seus desdobramentos políticos e judiciais são o exemplo mais recente e marcante da impetuosidade do presidente em navegar em ‘marés turbulentas’.

Mas muito mais significativo do que a demissão em si, foram as razões e circunstâncias que lhe deram causa.

Em especial o fato do presidente ter assumido todos os riscos que o rompimento comuma figura da expressão de Sérgio Moro – dotado de imensa popularidade e notoriedade, poderia comprometer junto à credibilidade de seu governo, corroendo, inclusive, parte de sua base de apoio social – também extremamenteidentificada com o agora ex-juiz e ex-ministro.  

O que chama, portanto, à atenção é o enorme preço que o presidente dispôs-se a pagarna busca de obter algo que jamais teria com a continuidade de Sérgio Moro à frente da pasta da Justiça, qual seja: o controle direto e irrestrito docomando da Polícia Federal, tendo acesso à informações privilegiadas e possibilidade de interferência no curso de inquéritos, conformedestacou o ex-ministro Moro.

Situação que se reveste de extrema gravidade pela claras evidências que as intenções do presidente visam proteger ao menos dois de seus filhos, o vereador Carlos e o senador Flávio, de investigações tocadas pelo Ministério Público e Polícia Federal. O primeiro, por comandar o chamado “gabinete do ódio”, uma estrutura paralela que funcionaria dentro do Palácio do Planalto disseminando fake news. Enquanto que o segundo é suspeito de apropriação de parte dossalários de assessores, quando era deputado estadual pelo Estado do Rio de Janeiro.

O ministro Moro saiu do governo da pior maneira possível para Bolsonaro. Expondo divergências e fazendo graves acusações, as quais, inclusive, já ensejaram a abertura de inquérito pelo STF contra o presidente da República.

Ainda é cedo para avaliarmos o balanço das perdas e ganhos advindos deste episódio.

Até agora, o presidente tem sofrido seguidas derrotas no campo judicial. Além do inquérito acima citado, o STF barrou a nomeação do delegado Alexandre Romagem para a direção-geral da PF, sob o fundamento que a mesma estaria maculada por desvio de finalidade. Munindo ainda mais as suspeitas de interferência indevida na instituição.  

No campo político, a expectativa de que este ‘divórcio litigioso’ entre Bolsonaro e Moro seja o prenuncio de uma batalha entre ambos nas urnas em 2020, é um cenário ainda muito distante de ser vislumbrado. Como se diz no provérbio popular: “Muita água vai passa por baixa dessa ponte chamada Brasil”.    

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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